Pesquisa mapeia eventos corporativos no Brasil

 

Uma pesquisa encomendada pelo capítulo brasileiro da Meeting Professionals International (MPI), entidade internacional do setor de eventos com 23 mil associados espalhados por 60 países, registra que 56% das grandes corporações preferem contratar organizadores para seus eventos ao invés de montar equipes próprias para comandar a área.

O estudo ouviu 52 profissionais relacionados diretamente à realização dos eventos nas maiores empresas com atuação no País.

Uma possível explicação para o predomínio da terceirização é o fato que, com o crescente interesse das companhias pelos eventos como forma de relacionamento com públicos estratégicos, as corporações não querem correr riscos e, assim, preferem delegar a atividade a especialistas com ampla experiência no assunto. “As empresas já passaram fase de fazer tudo internamente. Perceberam que é uma atividade trabalhosa, e por isso muitas optam pela terceirização”, analisa Adélia Franceschini, sócia do instituto Franceschini Análises de Mercado, que conduziu o estudo. “Num mercado globalizado, não dá para correr riscos. Por isso muitas companhias optam pela contratação de agências especializadas”, afirma.

As opiniões, no entanto, se dividem. Ricardo Ferreira, presidente do capítulo brasileiro da MPI, defende a manutenção de áreas específicas nas corporações para responder pelos eventos. “Pela importância estratégia no contexto dos negócios hoje, a melhor solução é a empresa treinar funcionários para pensar essas estratégias”, afirma Ferreira.

Ormeni Dorneles, gerente de even-tos da Nycomed, corporação do setor farmacêutico responsável por marcas como Neosaldina e que possui 11 mil funcionários, concorda com o pensamento de Ferreira.

De acordo com ela, muitas empresas que optaram pela terceirização voltam agora a organizar essa atividade internamente. “No caso da realização de eventos especializados, como os nossos, que nos relacionamos com a área médica, é fundamental estar engajado com a cultura da organização. E isso quem possui é um profissional da própria corporação, e não aquele que pertence a uma empresa terceirizada”.

A atuação da Nycomed em eventos se dá por meio de patrocínio congressos de entidades da área médica ou palestras para médicos organizadas pela empresa. Do outro lado do balcão, no entanto, surgem mais argumentos a favor da terceirização. A executiva Ana Ferraz, diretora geral de atendimento da agência de eventos BFerraz, defende a preparação de eventos por agências especializadas porque o cliente terá uma assessoria especializada durante todo o processo de organização de um evento. “A agência pode fornecer uma equipe completa, que será os olhos do cliente desde a apuração do briefing até o controle financeiro”, diz. A B/Ferraz pertence ao Grupo YPY, holding de empresas de comunicação. Para reforçar o argumento, ela diz que, para a produção de um evento corporativo para 200 pessoas, por exemplo, o cliente precisa ter pelo menos cinco funcionários dedicados a isso, fora a demanda normal do departamento. Em uma agência o cliente terá, pelo menos, dez pessoas focadas nesse evento. “A equipe in-terna é importante no momento de fazer a ponte com a agência – a passagem das orientações sobre o serviço, necessidades da ação e contato direto para melhor fluxo do trabalho”, diz.

 

Fonte: Por Clayton Melo, in Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 5

 
Esta entrada foi publicada em Artigos e marcada com a tag , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Os comentários estão encerrados.