Castelos europeus viram salão de casório brasileiro

 

Festa em residência real chega a custar metade do que em um salão chique paulistano

Procura leva empresas a se especializarem em ‘destination weddings’ (casamentos como destinos) em São Paulo

TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

No alto de uma colina com vista para Florença, na Itália, numa festa tocada por uma banda de jazz e regada a vinho italiano de altíssima qualidade, a decoradora Renata Salvadego, 36, e o analista de mercado financeiro Alan Cardoso, 30, vão celebrar o casamento em setembro próximo.

O local da festa será um castelo do início do milênio passado, que já enfrentou guerras e ruína, e hoje, depois de restaurado, compõe um dos cenários mais bonitos da região da Toscana.

Acostumada a organizar casórios no Brasil, ao planejar a própria festa Renata decidiu partir para uma opção mais “especial” e barata.

Porque sim, se você não quer um casamento pomposo à la Ronaldo Fenômeno e Daniella Cicarelli, celebrá-lo num castelo na Europa pode sair mais barato do que em um salão no Brasil.

Renata faz as contas e exemplifica: o aluguel do Castello Di Vincigliata ficou em € 3.300 (cerca de R$ 8.500). “Um bom salão em São Paulo hoje custa uns R$ 35 mil”, afirma. Uma garrafa de vinho, que no Brasil vale R$ 195, na Itália sairá pelo equivalente a R$ 28.

DAI-ME UM ‘GELATO’

Colocando na ponta do lápis, o casamento todo -incluindo viagem e hospedagem dos noivos por cinco noites, vestimentas, aluguel do castelo com todo mobiliário, decoração, bebes e comes, banda, DJ e um “balcão” com “gelato” italiano à vontade- sairá por R$ 100 mil, metade do que o casal gastaria aqui para uma festa de mesmo padrão, calcula Renata.

Preços melhores e o sonho do casamento de conto de fadas têm levado mais casais brasileiros a partirem para a Europa na hora de dizerem o “sim”, mesmo que simbolicamente -a burocracia para o casamento no civil e no religioso desanima muitos casais, que preferem casar a sério antes de embarcarem.

Em São Paulo, já existem até empresas especializadas nos chamados “destination weddings” (casamentos como destinos).

Fernanda Silva, da Wedding Luxe, uma das primeiras do ramo, afirma que antes a procura de brasileiros pelo serviço era muito rara -neste ano, ela já tem oito casamentos marcados.

Pela Be Happy Viagens, que ajudou a organizar o casamento de Renata ao lado da “wedding planner” Camila Relva, neste ano foram e serão, ao todo, nove.

“As noivas estão vendo que o investimento é muito grande para uma festa que vai durar cinco, seis horas [no Brasil]”, diz Jacqueline Mikahil, da Be Happy. “O casamento no exterior dura dias.”

Fonte: Folha de São Paulo 27/05/2012

 
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